Como correr de kart?
Nesta edição, vou pegar carona num tema abordado pelo Alexander Lopes, colaborador de kartismo na RACING, que considero o maior conhecedor deste esporte no Brasil. É um estudioso do assunto e está sempre atualizado, além de ter sido um bom piloto, preparador de chassi e chefe de equipe, Isso foi na Bahia, de onde saiu o piloto Tony Kanaan, o preparador de chassi “Maurão” Dias e os publicitários Duda Mendonça e Nizan Guanaes.
Se você já se fez a pergunta do título, sabe como é difícil dar o pontapé inicial da carreira. Entre o sonho de ser piloto e a largada da corrida de estréia, existe uma distância considerável, o que pode significar uma maratona atrás de dinheiro para a empreitada. Não se iluda. O automobilismo é um esporte caro e o kart, por conseqüência acaba sofrendo do mesmo mal. Só que não é isso que vai desanimá-lo. Se você quer mesmo, o dinheiro será apenas um obstáculo e o seu primeiro desafio a vencer. Hoje em dia, existe a possibilidade do primeiro contato com kart através das pistas de indoor ou das escolas de pilotagem. Por último, é possível alugar karts em ma pista oficial. Cumprida a primeira fase, chega a hora de começar a competir. Mas como conseguir patrocínio se o aspirante a piloto nunca fez uma corrida? Ninguém, a princípio vai “doar” dinheiro para você se divertir em um kartódromo. É preciso levar a carreira a sério e isso significa aprender muito sobre marketing e promoções.
Não pense que só na Fórmula 1 é importante andar de bonezinho para cima e para baixo. Isso é apenas uma das muitas coisas que você terá que se comprometer a fazer para dar retorno ao seu patrocinador. Alternativas não faltam. Por isso planeje bastante. Da escolha do campeonato à compra do primeiro kart, você tem que estar ligado em como tornar sua carreira interessante para um patrocinador. Depois, é preciso batalhar muito, acostumar-se com uma centena de “nãos” e persistir. Abalar-se diante das primeiras negativas vai tirá-lo do caminho de sua realização. Portanto, é preciso que a dedicação seja total e a disposição para visitar centenas de empresas nunca acabe.
João Alberto Otazú
- Você tem que montar um pacote promocional e transformar isso em um projeto de patrocínio. Existem empresas que podem fazer isso por você, mas se não der para investir nada no início, mãos à obra, na base do faça-você-mesmo.
- É tudo uma relação de troca. A empresa irá investir no piloto, e por isso vai querer ver o seu nome nos jornais, a marca na carenagem do kart, no uniforme da equipe, na decoração do box, isso sem falar em muitas outras alternativas criativas.
- Coloque a cabeça para funcionar, veja o que fazem as outras equipes, visite autódromos e leia, leia bastante a respeito.
- O futuro patrocinador não quer apenas saber se você é alto, loiro e tem olhos verdes. O que interessa a ele é conhecer o público que acompanha as corridas, os jornais e redes de TV que fazem a cobertura do evento e as possibilidades que ele vai ter para ‘mostrar’ a sua marca. Enfim, como é que ele vai acabar ganhando alguma coisa com isso tudo.
- Uma boa maneira de conseguir patrocínio para um piloto estreante é por meio de permutas. Por exemplo, você pode convencer o diretor do seu colégio a patrociná-lo com uma bolsa de estudos. O dinheiro que seu pai usaria para pagar a escola, vai para o kart. O mesmo vale para cursos de inglês, informática, natação, balé, o que for. Interessa a você, às escolas e também aos seus pais, porque com esse tipo de patrocínio você não pode nem pensar em notas vermelhas no boletim. Seria como ter patrocínio da Coca-Cola e viver bebendo Pepsi.
- Outra solução, a princípio bem simples, é batalhar o apoio de um posto para conseguir combustível, óleos, graxa e outros materiais que você vai precisar na oficina.
- Depois, que tal roupas daquela loja que você tanto gosta? Você pode vender uma parte do que conseguir, transformando os produtos em dinheiro para pagar inscrição das corridas e peças.




