Maurício Gugelmin
 
Aos 42 anos, o ex-piloto de Fórmula 1 Maurício Gugelmin nem parece ter corrido por quatro anos na categoria - de 1988 a 1992 nas equipes Leyton Haus March e Jordan. “Se eu acordar tarde no domingo e perder a corrida na tevê, não me importo. Hoje, tenho outras prioridades”, diz o catarinense de Joinville. As outras prioridades são a família e a empresa de reflorestamento de eucaliptos. Casado há 22 anos com Estella, tem dois filhos: Bernardo, de 11 anos, e Gabriel, de 5.

Mas é nas horas de lazer com os filhos que ele denuncia o amor pelas pistas. Deu um kart para cada um e relaxa tirando rachas com a prole. “Comprei um kart para mim também para andar com eles.” Mas ele torce para que os filhos não sigam sua carreira. “Incentivo eles a andar de kart para que sejam bons motoristas no trânsito, apenas isso.”

Na Fórmula 1, correu 74 GPs. Sua melhor posição foi um terceiro lugar, em 1989, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Para ele, no entanto, sua melhor corrida não foi essa. Mas no GP da França, em 1989, quando corria pela fraca March. Ele e seu companheiro de equipe Ivan Capelli passaram a corrida toda sem entrar nos boxes. Nas últimas voltas, a bomba de óleo do seu carro explodiu e Ivan abandonou a prova por falta de combustível. “A prova foi vencida pelo francês Alain Prost. Não cheguei ao pódio por muito pouco. O sentimento é que fomos heróis naquele dia, porque desafiamos as equipes grandes.”

O pior momento de sua carreira foi na Fórmula Indy, em 2001, no circuito oval do Texas, Estados Unidos. Durante os treinos livres, Gugelmin bateu forte no muro: de frente, de traseira e de novo de frente. “Tive uma contusão na cabeça. Meu cérebro demorou uns três meses para voltar ao normal.” Se teve medo da morte? “No automobilismo, o grande desafio do piloto é controlar o medo de um acidente, da morte. Não existe um piloto que não tenha medo. Se disser o contrário, estará mentindo.”

Lições para a vida
De 1986 a 2001, quando correu por diversas categorias, Gugelmin tirou lições importantes para a vida: “Como piloto, você aprende a ter controle, hora certa para esperar, atacar, porque a vida é assim. Depois da experiência no automobilismo, a vida ficou mais simples para mim. Planejo tudo com mais calma. Evito ter surpresas desagradáveis.”

De volta ao Brasil, depois de longos anos morando em Miami, nos Estados Unidos com a família, ele se radicou em Curitiba, onde se localiza uma de suas duas fazendas - a outra fica em Santa Catarina. De personalidade discreta quando piloto, Gugelmin repete a dose na vida pessoal e nos negócios. “Quando você é uma pessoa pública, quanto menos falar, melhor.”

Aparecer em público também não lhe agrada. Sempre que pode foge dos eventos e também não gosta de dar entrevistas. “Os novos pilotos é que devem responder às perguntas, eu não tenho nada para falar, estou sendo educado em lhe atender. Agendar com fotógrafo? Não, de jeito nenhum.”

Histórico
1971 - Começou a correr de Kart aos 8 anos de idade. Campeão local em 71 a 79.
1980 - Campeão Brasileiro de Kart.
1981 - Iniciou na Fórmula Fiat e foi campeão brasileiro.
1982 - Campeão Inglês de Fórmula Ford 1600, com 13 vitórias e 11 poles.
1983 - Campeonato Inglês Fórmula Ford 2000. 2º lugar no campeonato.
1984 - Campeão Europeu de Fórmula Ford 2000.
1985 - Campeão Inglês Fórmula 3. Venceu o GP de Macau.
1986 - Campeonato Internacional Fórmula 3000. 2º lugar em Vallelunga.
1987 - Campeonato Internacional Fórmula 3000. Venceu em Silverstone. 4º lugar no campeonato.
1988 - Fórmula 1, Equipe March-Judd. 4º lugar no GP da Inglaterra. 5º lugar no GP da Hungria.
1989 - Fórmula 1, Equipe March-Judd. 3º lugar no GP Brasil.
1990 - Fórmula 1, Equipe Leyton House. 6º lugar no GP da Bélgica.
1991 - Fórmula 1, Equipe Leyton House. Três 7º lugares.
1992 - Fórmula 1, Equipe Jordan. 7º lugar em San Marino.
1993 - Fórmula Indy, Equipe Dick Simon. Participou de 3 corridas.
1994 - Fórmula Indy, Equipe Chip Ganassi. 5º lugar em Vancouver. 16º lugar no campeonato com 39 pontos.
1995 - Fórmula Indy, Equipe PacWest. Sete 6º lugares. Liderou o maior número de voltas (59) em Indianápolis 500. 10º lugar no campeonato com 80 pontos.
1996 - Champ Car, Equipe PacWest. 2º lugar em Michigan. 14º lugar no campeonato com 53 pontos.
1997 - Champ Car, Equipe PacWest. Venceu em Vancouver, 3 poles (Rio, Elkhart Lake e Fontana). 2º lugar em Long Beach e Elkhart Lake; Recorde mundial de velocidade no circuito de Fontana: 387,759 km/h. 4º lugar no campeonato com 132 pontos.
1998 - Champ Car, Equipe PacWest. Liderou 2 corridas (Mid-Ohio e California 500) por um total de 69 voltas. 4º lugar em Mid-Ohio e 5º lugar na Califórnia. 15º lugar no campeonato com 49 pontos.
1999 - Champ Car, Equipe PacWest. Liderou 2 corridas (Montegi e Califórnia 500) por um total de 23 voltas. 2º lugar na classificação em Montegi. 4º lugar em Vancouver. 16º lugar no campeonato com 44 pontos.
2000 - Champ Car, Equipe PacWest. 3º lugar na classificação em Cleveland. 17º lugar no campeonato com 39 pontos.
2001 - Champ Car, Equipe PacWest. Pole-Position no GP de Cleveland. 24º no campeonato com 17 pontos
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